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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O Simbolismo do Natal IX - Buda e o Cristo - Árvore da Vida

"Buda e Jesus, ou Buda e o Cristo, se complementam dentro de nós. Vou contar a vocês um caso insólito acontecido certa vez em que me vi dentro de um templo budista no Japão. Dissertava diante daquela congregação sobre o Cristo.

Começou a surgir um certo rumor entre os monges, pois eu estava em pleno monastério budista. De fato, os monges se dirigiram ao mestre e lhe contaram que ali estava um homem falando sobre o Cristo.

Eu esperava que aquele monge viesse furioso me dar pauladas, mas felizmente nada disto aconteceu. Perguntou-me: "Como é que você fala sobre o Cristo aqui, em um templo budista"? E lhe respondi: "Com profundo respeito por essa congregação, permito-me dizer-lhe que o Cristo e o Buda se complementam".

Então pude ver com assombro que aquele mestre concordou e disse: "Assim é, o Cristo e o Buda se complementam", afirmando isso diante de todos os monges. E logo me falou por um Koan, dando-me a entender que o Cristo e o Buda são dois fatores íntimos que cada pessoa leva em seu interior.

Fez com que trouxessem um fio, com o qual uniu o dedo polegar direito ao dedo polegar esquerdo.

Eu entendi o Koan, pois estou acostumado à dialética da consciência. Com isso, ele quis me dizer que o Cristo e o Buda estão ligados dentro de nós mesmos, são dois aspectos de nosso próprio Ser.

E isso pode ser explicado precisamente à luz da Árvore da Vida. O Buda naturalmente é formado por esses dois princípios, Chesed e Geburah. Em linguagem rigorosamente teosófica, diríamos Atman-Buddhi; este é o Buda interior.

E quanto ao Cristo, vejamo-lo aqui em Chockmah.

Assim, o Cristo, através de Binah, que é o sexo, vem a ficar conectado com o Buda em Chesed e Geburah. Cristo e Buda são partes de nosso próprio Ser. Então, o porvir esotérico e religioso da humanidade de amanhã terá igualmente o melhor do esoterismo crístico e o melhor do esoterismo budista, isto é, o esoterismo crístico e o esoterismo budista têm que integrar-se, fundir-se, pois Cristo e Buda são duas partes de nosso próprio Ser.

O Buda Gautama Sakyamuni veio realmente ensinar-nos realmente a doutrina de Chesed e Geburah, a doutrina do Íntimo, a doutrina do Buda interior.

Quanto a Jeshua Ben Pandira, veio ensinar-nos a doutrina do Cristo, de Chockmah, que é o Cristo; veio ensinar-nos a doutrina da alma humana, a doutrina de Tipheret, a doutrina do Cristo Íntimo.

Gautama nos trouxe a doutrina do Buda Íntimo e Jesus de Nazaré nos trouxe a doutrina do Cristo Íntimo. Cada um deles nos trouxe uma mensagem de nosso próprio Ser. Cristo e Buda se complementam, estão dentro de nós mesmos, isso é óbvio.

Entendendo tudo isso, meus queridos irmãos, bem vale a pena trabalhar para algum dia chegar a receber a Iniciação Venusta, isto é, a iniciação de Tipheret, o Natal do Coração."

Mensagem de Natal deixada pelo V. M. Samael Aun Weor, em 1975.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Simbolismo do Natal VII

"A seguir vêm os fenômenos milagrosos do grande Mestre. Caminhava sobre as águas, como sobre as Águas da Vida tem de caminhar o Cristo Íntimo. Abrir a visão dos que não vêem, predicando a palavra para que vejam a luz; abrir os ouvidos dos que não querem ouvir, para que escutem a palavra.

Quando o Senhor já cresceu no Iniciado, tem de tomar a palavra e explicar a outros o que é o Caminho, limpar os leprosos; todo mundo está leproso, não há ninguém que não esteja leproso, essa lepra é o Ego, o Eu pluralizado, essa é a epidemia que todos levam dentro de si, a lepra da qual devemos ser limpos.

Os que estão paralíticos não caminham ainda pela Senda da Auto-Realização, o Filho do Homem deve curar os paralíticos para que se ponham a andar rumo à montanha do Ser.

Há que compreender tudo isto de forma mais íntima, mais profunda; isto não corresponde a um passado remoto, é para ser vivido dentro de nós mesmos aqui e agora.

Se começamos a amadurecer um pouquinho, saberemos apreciar melhor a mensagem que o Grande Kabir Jesus trouxe à Terra. Em todo caso, precisamos passar por Três Purificações, à base de ferro e
fogo - este é o significado dos Três Cravos da Cruz. E a palavra INRI diz muito. Já sabemos que INRI esotericamente é o Fogo; necessitamos passar pelas Três Purificações à base de ferro e fogo antes de conseguir a Ressurreição, do contrário seria impossível alcançá-la.

Aquele que ressuscita se transforma radicalmente, se converte num Deus- Homem, em um Hierofante da estatura de um Buda, ou um Hermes, um Quetzalcoatl, etc.

Mas é necessário fazer a Grande Obra. Realmente, não se poderia entender os Quatro Evangelhos se não se estudasse Alquimia e Cabala, porque os Evangelhos são alquimistas e cabalistas, isto é óbvio.

Os judeus tinham três livros sagrados. O primeiro é o corpo da doutrina, a Bíblia. O segundo é a alma da doutrina, o Talmud, no qual está a alma nacional judaica. E o terceiro é o espírito da doutrina, o Zohar, onde está toda a Cabala dos rabinos.

A Bíblia, o corpo da doutrina, está escrita sob chave. Se queremos estudar a Bíblia “compaginando versículos”, procedemos de forma ignorante, empírica e absurda.

Prova disto é que todas as seitas mortas que, até a época atual, se nutriram da Bíblia interpretada de forma empírica, não puderam entrar em acordo. Se existem milhares de seitas baseadas na Bíblia, quer dizer que nenhuma a compreendeu.

As chaves para a interpretação estão no Zohar, escrito por Simeon Ben Iochai, o grande rabino iluminado. Aí encontramos as chaves para interpretar a Bíblia. Então, é necessário “abrir” o Zohar.

Se queremos saber algo sobre o Cristo, sobre o Filho do Homem, devemos estudar a Árvore da Vida."

                                              Mensagem de Natal deixada pelo V. M. Samael Aun Weor em 1975.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Simbolismo do Natal V - Jesus e os 3 Traidores

Jesus em hebraico é Jeshuá; Jeshuá significa Salvador, e, como Salvador, nosso Jeshuá particular tem de nascer neste estábulo que temos dentro de nós para realizar a Grande Obra; Ele é o Magnésio Interior do Laboratório Alquimista. O Grande Mestre deve surgir no fundo de nossa Alma, de nosso Espírito.

O mais duro para o Cristo Íntimo, após seu nascimento no coração do Homem, é precisamente o Drama Cósmico, sua Via Crucis. No Evangelho as multidões aparecem pedindo a crucificação do Senhor; essas não são multidões de ontem, de um passado remoto, como se supõe, de algo que ocorreu há 1975 anos. Não, senhores, essas multidões estão dentro de nós mesmos, são nossos famosos “Eus”; dentro de cada pessoa moram milhares de pessoas, o “Eu odeio”, o “Eu tenho ciúmes”, o “Eu sinto inveja”, o “Eu sou cobiçoso”, ou seja, todos os nossos defeitos, e cada defeito é um “Eu” diferente. É claro que essas multidões que trazemos dentro de nós, que são nossos famosos “Eus”, são os que gritam:

“Crucifiquem-no, crucifiquem-no ! "

Quanto aos Três Traidores, já sabemos que no Evangelho Crístico são Judas, Pilatos e Caifás. Quem é Judas? O Demônio do Desejo. Quem é Pilatos? O Demônio da Mente. Quem é Caifás? O Demônio da Má Vontade.

Mas é preciso esclarecer isto, para que se possa compreender melhor. Judas, o Demônio do Desejo, troca o Cristo Íntimo por trinta moedas de prata: 30 (3 + 0=3), esta é uma soma cabalística, ou seja, troca-o pelas coisas materiais, pelo dinheiro, pela bebida, pelo luxo, pelos prazeres animais, etc.

Quanto a Pilatos, é o Demônio da Mente; este sempre “lava as mãos”, nunca tem culpa, para tudo encontra uma evasiva, uma justificativa, jamais se sente responsável.

Realmente, estamos sempre justificando todos os defeitos psicológicos que temos em nosso interior, jamais nos julgamos culpáveis. Muita gente me diz: “Acredito ser uma boa pessoa; eu não mato, não roubo, sou caridoso, não sou invejoso“, ou seja, são todos cheios de virtude, perfeitos, segundo eles próprios; “ignoto”, é o que tenho a dizer diante de tanta perfeição.

Assim, olhando as coisas como são, em seu cru realismo, esse Pilatos sempre lava as mãos, nunca se considera culpado.

Quanto a Caifás, francamente, considero o mais perverso de todos. Pensem no que representa Caifás: muitas vezes o Cristo Íntimo nomeia um Sacerdote, um Mestre ou Iniciado para que guie suas ovelhas e as apascente, lhe entrega a autoridade e o põe à frente de uma congregação, e o tal Sacerdote, Mestre, Iniciado, etc., em vez de guiar seu povo sabiamente, vende os Sacramentos, prostitui o Altar, fornica com as devotas, etc. - ou seja, trai o Cristo Íntimo; isto é o que faz Caifás.

É doloroso isto? Ë claro, é horrível, é uma traição do tipo mais sujo que há, e não há dúvida de que muitas religiões se prostituíram e muitos sacerdotes traíram o Cristo Íntimo; não me refiro a nenhuma seita em particular, mas a todas as religiões do mundo. Inclusive grupos esotéricos, dirigidos por verdadeiros Iniciados, e estes, muitas vezes traidores, traíram o Cristo Íntimo.

Tudo isto é doloroso, infinitamente doloroso. Caifás é o que há de mais sujo. Estes três traidores levam o Cristo Íntimo ao suplício.

Pensem por um instante no Cristo Íntimo, no mais profundo de cada um de vocês, Senhor de todos os processos mentais e emocionais, lutando por salvá-los, sofrendo terrivelmente; os próprios Eus de vocês protestando contra Ele, blasfemando, pondo-Lhe a coroa de espinhos, açoitando-O.

Bem, esta é a crua realidade dos fatos, este é o Drama Cósmico vivido interiormente.

Finalmente, este Cristo Íntimo subiria ao Calvário [,isto é óbvio,] e baixa ao sepulcro, com sua morte mata a morte, isto é a última coisa que faz.

Posteriormente ressuscita no Iniciado e o Iniciado ressuscita n’Ele. Então a Grande Obra está realizada, “consummatum est”."


                          Mensagem de Natal deixada pelo V. M. Samael Aun Weor em 1975.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Simbolismo do Natal III

"Quando um homem está devidamente preparado, passa pela Iniciação Venusta - mas, esclareço, deve estar devidamente preparado - e na Iniciação Venusta consegue a encarnação do Cristo Cósmico em si mesmo, dentro de sua própria natureza.



Inutilmente teria nascido Jesus em Belém se não nascesse em nosso coração também. Inutilmente teria morrido e ressuscitado na Terra Santa, se não morre e ressuscita em nós também. Esta é a natureza do "Salvator Salvandus". O Cristo Íntimo deve salvar-nos, mas salvar-nos desde dentro, a todos nós.

Aqueles que aguardam a vinda de Jesus de Nazaré para um futuro remoto estão equivocados, o Cristo deve vir agora de dentro; a segunda vinda do Senhor é de dentro, do próprio fundo da Consciência. Por isto está escrito o que Ele disse: "Se ouvires alguém dizendo na praça pública que é Cristo, não o creiais; e se disserem: Ele está ali no Templo predicando, não o creiais". É que o Senhor desta vez não virá de fora, mas de dentro, virá do próprio fundo de nosso coração, se nós nos prepararmos.

Paulo nos esclarece dizendo: "De sua virtude tomamos todos, graça por graça". Então, está documentado; se estudarmos cuidadosamente Paulo de Tarso, veremos que raramente alude ao Cristo histórico; cada vez que Paulo de Tarso fala sobre Jesus Cristo, refere-se ao Jesus Cristo Interior, ao Jesus Cristo Íntimo que deve surgir do fundo de nosso Espírito, de nossa Alma.

Enquanto um homem não O tenha encarnado, não se pode dizer que
possua a Vida Eterna. Só Ele pode tirar nossa Alma do Hades(inferno), só Ele pode verdadeiramente dar-nos vida, e em abundância. Assim, pois, devemos ser menos dogmáticos e aprender a pensar no Cristo Íntimo, isto é grandioso!..."

                                        Mensagem de Natal deixada pelo V. Mestre Samael Aun Weor em 1975.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Simbolismo do Natal II - O Drama Cósmico

"Vamos refletindo sobre tudo isto, e convém que entendamos o que é o Drama Cósmico. É necessário que também em nós nasça o Cristo-Sol, Ele deve nascer em nós. Nas Sagradas Escrituras, se fala claramente de Belém e de um estábulo onde ele nasce, esse estábulo de Belém está dentro de nós mesmos, aqui e agora. Precisamente nesse estábulo interior moram os animais do desejo, todos esses "eus" passionais que carregamos em nossa psique, isto é óbvio.

"Belém" mesmo é um nome esotérico; nos tempos em que o Grande Kabir veio ao mundo, a aldeia de Belém não existia, de modo que isto é inteiramente simbólico. Bel é uma raiz caldéia que significa Torre do Fogo, de modo que, propriamente dito, Belém é Torre do Fogo. Quem poderia ignorar que Bel é um termo caldeu que corresponde precisamente à Torre de Bel, à Torre do Fogo? Assim, o termo Belém é totalmente simbólico.

Quando o Iniciado trabalha com o Fogo Sagrado, quando elimina completamente de sua natureza íntima os agregados psíquicos, quando de verdade está realizando a Grande Obra, indubitavelmente há de passar pela Iniciação Venusta. A descida do Cristo ao coração do homem é um acontecimento cósmico e humano de grande transcendência, tal evento corresponde na verdade à Iniciação Venusta.

Infelizmente, não se entendeu realmente o que é o Cristo; muitos supõem que o Cristo foi exclusivamente Jesus de Nazaré, e estão equivocados.

Jesus de Nazaré, como homem - ou, melhor dizendo, Jeshuá ben Pandirá - recebeu, como homem, a Iniciação Venusta, encarnou o Cristo, mas ele não é o único a ter recebido tal Iniciação. Hermes Trismegisto, o três vezes grande Deus Íbis de Thot, também O encarnou. João Batista, a quem muitos consideravam como o Christus, o Ungido, inquestionavelmente recebeu a Iniciação Venusta, O encarnou.

Os Gnósticos Batistas asseguravam, na Terra Santa, que o verdadeiro Messias era João, e que Jesus era somente um Iniciado que havia querido seguir João. Naquela época havia disputas entre Batistas, os Gnósticos Essênios e outros.

Devemos entender o Cristo tal e qual é; não como uma pessoa, não como um indivíduo. O Cristo está além da Personalidade, do Eu e da
Individualidade. Cristo, em esoterismo autêntico, é o Logos, o Logos Solar, representado pelo Sol.





Agora compreenderemos porque os Incas adoravam o Sol, os Nahoas o cultuavam, os Maias, os Egípcios, etc. Não se trata da adoração a um Sol físico, mas ao que se oculta por trás deste símbolo físico; obviamente, adorava-se o Logos Solar, o Segundo Logos. Este Logos Solar é Unidade Múltipla Perfeita. A variedade é unidade. No mundo do Cristo Cósmico a individualidade separada não existe, no Senhor somos todos um..."

Continuaremos amanhã...

Mensagem de Natal deixada pelo V. Mestre Samael Aun Weor em 1975.